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28/02: Arroz na Cerveja

Budweiser - Rei das Cervejas com Arroz.

Rafael Galvão e o Hermenauta andaram duelando, (com direito a pitaco do Biajoni) sobre a adição de milho na produção do Whisky, resultando na bebida conhecida como Bourbon Whiskey. Aproveitando a deixa, vou contar a história de como os cereais não-maltados foram introduzidos na produção da cerveja.

Pra começar, é bom explicar que a limitação dos ingredientes utilizados na fabricação da cerveja a malte, lúpulo, água e levedura só se estabeleceu em 1516, com a Reinheitsgebot, Lei de Pureza da Bavária. Antes disso, muitos outros ingredientes eram utilizados na fabricação da bebida, como o rosmaninho selvagem no lugar do lúpulo, por exemplo. Porém, com o tempo a Reinheitsgebot se popularizou, e apenas os quatro ingredientes acima citados passaram a ser utilizados na a fabricação da cerveja, com algumas exceções.

Bebida muito popular na Europa Central, a cerveja não tardou a chegar à América. Na década de 1840, imigrantes alemães introduziram a cerveja lager nos Estados Unidos. No começo o consumo era restrito aos imigrantes germânicos, porém com o tempo a bebida se popularizou.

O aumento da demanda exigiu um aumento da produção, e foi aí que os imigrantes cervejeiros se depararam com um problema: O malte importado era caríssimo, enquanto que o malte produzido nos Estados Unidos era muito proteico, o que reduzia a durabilidade da cerveja. Além disso, a demanda já era muito maior que a própria produção da cevada. Os fazendeiros locais não davam conta de abastecer as cervejarias, que então passaram a procurar alternativas.

Para produzir uma cerveja mais durável e, sobretudo, mais barata, cereais não-maltados começaram a ser utilizados na produção da cerveja. O primeiro foi o milho, mas o excesso de oleosidade do mesmo influenciava no sabor da cerveja. Era possível retirar o excesso da oleosidade do milho, porém esse processo impactava no custo final da cerveja.

Muitas pesquisas e experiências com o milho foram realizadas, até que na década de 1870, surgiu em Pilsen, República Tcheca, uma cerveja lager leve e clara. Essa cerveja rapidamente fez sucesso pelo mundo inteiro, e logo tentou-se copiá-la também nos Estados Unidos. Depois de várias tentativas frustradas com o milho, chegou-se à conclusão que fabricar cervejas do tipo Pilsen com o malte americano só seria possível com a adição de arroz ou milho branco, que é menos oleoso que a variedade amarela.

Assim nasceram as cervejas do tipo Pilsen americanas. Uma das primeiras cervejarias, a E. Anheuser & Co. (depois Anheuser-Busch), adotou o arroz, e teve a idéia de batizar sua cerveja com o nome de Budweizer, de forma que ficasse claro aos seus consumidores que essa cerveja havia sido criada com o mesmo processo das cervejas de Budweiss, na República Tcheca.

Essa decisão até hoje gera polêmica, com várias batalhas judiciais sendo travadas pela companhia americana e a tcheca Budějovický Budvar, (ou Budweiser Budvar), que considera o termo Budweiser uma indicação de origem, como Pilsner ou Dortmunder.

Hoje, com as cervejarias artesanais, em alta cada vez mais cervejas puro malte estão sendo fabricadas na América. A Reinheitsgebot sempre é lembrada como garantia de qualidade do produto. Mas talvez, sem a adoção dos cereais não-maltados no final do século XIX, a fabricação da cerveja tivesse sido inviável no continente americano, e a bebida não teria se popularizado tanto por aqui.

Saúde.

Fonte: Revista All About Beer.

27/02: De volta!

Depois quase oito meses abandonado, finalmente resolvi criar vergonha na cara e retomar o blog.

Nesses oito meses o trabalho tem sido uma correria danada. E ainda continua assim, mas tenho bastante coisas que gostaria de escrever ainda, e vou me esforçar pra tentar escrever aqui com mais frequencia.

Tenho algumas idéias para um futuro próximo, vai depender da disponibilidade de tempo. Enquanto isso a dica de leitura é o novo blog da Luciana, ex-Uma Garota Apenas, com sua amiga Patrícia Köhler, o Cinta Liga, na nova comunidade de blogs InterNey.

A dica para os cervejeiros é o site Cervejas do Mundo, que linkou e recomendou este humilde blog, que não faz por merecer recomendações há tempos. Espero corrigir isso em breve.

PS: O blog fez 2 anos no ar no último dia 20.