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31/03: Mais leve que o ar.

O brasileiro gosta de cerveja leve. Você certamente já leu ou ouviu isso em algum lugar.

Um dos motivos é o clima. O Brasil é um país tropical, e em quase todo seu território é quente na maior parte do ano. Por isso, é costume do brasileiro tomar cerveja gelada, para se refrescar. Cervejas encorpadas geralmente devem ser consumidas em temperaturas que variam de 6º a 12ºC, enquanto que cervejas mais leves podem ser bebidas a temperaturas menores.

Na Europa, que passou por várias guerras em sua história, com escassez de alimentos durante vários períodos, uma cerveja forte e encorpada também servia como alimento. Enquanto que na América, onde o alimento sempre foi abundande, apesar de ser muito mal distribuido, o consumo de cerveja é um evento social, onde o que importa é relaxar e conversar com os amigos.

Somando os dois primeiros fatores ao fator tempo, criamos a cultura vigente. No passado as cervejas leves eram preferidas por causa dos fatores acima. Com isso, elas dominaram o mercado e passaram a ser o padrão. O brasileiro hoje é acostumado a beber cervejas leves, pois essa era a única opção que teve, quando começou a beber. Seu paladar foi educado a apreciar a cerveja leve.

Claro que nem tudo está perdido. Como um brasileiro pode aprender a gostar de sushi, que é uma comida que não faz parte de sua cultura alimentar, ele pode aprender a gostar de uma cerveja mais encorpada. E muitos assim o fizeram, quando tiveram contato com cervejas importadas, ou os produtos das microcervejarias nacionais.

Porém a maioria ainda está restrita aos produtos oferecidos pelas grandes cervejarias. E infelizmente, essas não se preocupam em oferecer diversidade a seus consumidores. Pelo contrário, procuram sempre manter o status quo.

Depois que a Skol assumiu a condição de cerveja mais bebida do país, a situação ficou ainda pior. A Schincariol virou Nova Schin, e a Kaiser mudou de sabor. Tudo para ficarem ainda mais leves, e concorrer com a levíssima lider de mercado. Nada mais natural que as cervejarias apostem em uma fórmula já consagrada, em vez de arriscar algo novo. Mesmo desrespeitando a regra do marketing que diz que o segundo lugar nunca deve imitar o primeiro, e sim inovar, para tomar seu lugar, uma vez que o primeiro está nessa posição justamente por ser o melhor naquilo que ele faz

O problema foi que as cervejarias exageraram. Hoje, toda e qualquer cerveja lançada no mercado, com raríssimas exceções, são apresentadas como leves, independente do segmento que esses produtos pretendem se posicionar. Desde cervejas populares, como a Nova Schin, até as mais caras, como a Bavária Premium, que é vendida como "premium" e leve ao mesmo tempo. A AmBev, por exemplo, possui inúmeras marcas no mercado, e a grande maioria segue o mesmo padrão, mesmo os novos lançamentos, como o chopp Brahma Black.

É normal, pelos motivos já citados, que as cervejas leves dominem o mercado. Mas as grandes cervejarias poderiam diversificar ainda mais, oferendo outras opções a seus consumidores. Alguns passos já foram dados nessa direção, com a linha da Bohemia, (apesar da Bohemia Pilsen ser bem leve também), ou a compra da Baden Baden pela Schincariol. Mas ainda é muito pouco.

Claro, uma boa alternativa são as microcervejarias, que estão conquistando seu espaço no mercado. Porém muitas vezes essas empresas não têm condições de reeducar seus consumidores, como acontece com a Cervejaria Palazzo, de Jaboticabal-SP, que como conta este post do blog Latinhas do Bob, pretende deixar seu chopp menos amargo e passar a filtrá-lo, uma vez que a atual receita não agrada o consumidor local.

Por isso é importante prestigiar quem fabrica e quem vende cervejas diferenciadas, para que essas empresas tenham condição de se manter no mercado, e prosperar. Porque senão, do jeito que as coisas andam, em breve estaremos enchendo balões com cervejas, pois esta estarão mais leves que o ar.


26/03: Blogs Sobre Cerveja

Por muito tempo procurei por outros blogs que falassem sobre o mundo da cerveja, cervejas artesanais, microcervejarias, etc. Com certeza eu não podia ser o único na "blogosfera" brasileira a escrever sobre o assunto.

Infelizmente, pesquisar por "Cerveja Blog" no Google não era muito eficiente, pois muitos blogs eventualmente mencionam a palavra cerveja em seus textos. E o único resultado que parecia promissor, o Cerveja Blog, fala sobre tudo, menos cerveja.

Porém, recentemente, ao navegar na Internet à procura de mais informações sobre microcervejarias, acabei encontrando um blog sobre cerveja e gastronomia, o Edu Passarelli Recomenda!.

E graças a esse "terrível" costuma dos blogueiros de linkar outros blogs, eu encontrei mais alguns blogs sobre cerveja bastante interessantes. São eles o Cerveja Só, Dana Bier (blog que documenta a criação de uma pequena cervejaria artesanal), Latinhas do Bob, Hummm, cerveja!!!!! e o Blog Cervejeiro!.

Todos devem entrar entre os links ao lado em breve. Se você gosta de ler meus posts sobre cerveja, mas acha que minha frequencia deixa a desejar (e eu concordo), pode acompanhar os blogs acima também. Só não vale me abandonar. :)


21/03: Visita à Cervejaria Schornstein

No começo do ano eu fiz uma visita à Cervejaria Schornstein, em Pomerode-SC. Quando retomei o blog, queria fazer um post sobre a visita, mas infelizmente não tinha tirado nenhuma foto para ilustrá-lo.

Felizmente, no último sábado, recebi um convite do Thomas. O Thomas é um alemão, radicado em Braga, Portugal, que conheci através do forum do site Cervejas do Mundo. Ele possui uma cervejaria caseira, a Benedictum Cerveja Artesanal, e trabalha como consultor na área têxtil, o que o trouxe à Santa Catarina por algumas semanas.

Cervejaria Schornstein

Eu estava mesmo com vontade de fazer um passeio, então falei com minha namorada Andrea, que topou na hora, e fomos para Pomerode. Chegando lá, encontramos Thomas já falando com o José Carlos, que é o responsável pela produção da cerveja mais alemã do Brasil. Visitamos as instalações onde a cerveja é fabricada, o que eu não tinha feito na ocasião da minha primeira visita.

Cervejaria Schornstein

Fiquei surpreso e contente em saber que, com menos de um ano de vida, a Schornstein já triplicou sua capacidade de produção, e ainda assim já está operando no máximo da sua capacidade. O que prova que uma microcervejaria pode ser um ótimo negócio, e garante que elas vieram para ficar.

Thomas, Andrea e Ricardo

Depois de conversar com José Carlos, sentamos (eu, a Andrea e o Thomas) em uma mesa do bar, para saborear os chopps da casa. A Schornstein oferece 4 tipos de Chopp: O Trink Bier Natural, que é um Pilsen não-filtrado, o Trink Bier Cristal, a versão filtrada do Pilsen, o Pommern-Bier, que é do tipo Bock, e o Schorn-Bier, do tipo Pale Ale. Com exceção do Cristal, que é muito leve e sem graça, os demais são excelentes, e foram aprovados pelos 3 degustadores.

Quanto ao Cristal, o José Carlos nos explicou que eles temiam que a versão não-filtrada do Pilsen fosse rejeitada, e por isso criaram a versão filtrada também, mas que hoje a grande maioria prefere o Natural. Eu acho que a Schornstein deveria esquecer o Pilsen filtrado, e criar mais um tipo de cerveja. O Thomas sugeriu uma Weizen, após ter observado que aqui no Brasil essa cerveja é bastante apreciada.

Chopps Pale Ale, Bock e Pilsen Natural

Em relação ao bar da fábrica, posso afirmar que o atendimento é excelente, assim como a comida. Almoçamos lá na primeira vez que fomos, e estava ótimo. Dessa vez o Thomas pediu um Hackapetter, especialidade da casa, feita com carne crua e condimentos, e preparada com maestria na própria mesa onde é servido com pão integral típico alemão. Não é ruim, mas não consegui abstrair o fato de estar comendo carne crua, e só comi uma fatia de pão. A Andrea nem quis provar, e o Thomas acabou comendo todo o resto sozinho.

Hackapetter

Resumindo, a Cervejaria Schornstein vale uma visita (no mínimo, eu pretendo fazer várias), com certeza. Além da cervejaria, pode-se conhecer a simpática Pomerode. Quem é de longe pode também aproveitar e, na mesma viagem, conhecer as vizinhas Timbó, Indaial, Blumeau e Brusque, todas com pelo menos uma cervejaria, fazendo um verdadeiro circuito cervejeiro pelo Vale do Itajaí.

Também valeu muito a pena trocar idéias sobre o pão liquido com o Thomas. Foi muito interessante encontrar outro apreciador de cervejas.


17/03: Happy St. Patrick's Day!

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É hoje, o famoso St. Patrick's Day, ou dia de São Patrício, o santo padroeiro da Irlanda.

Mais do que um feriado religioso, o St. Patrick's Day é um evento cultural, onde Irlandeses e descendentes do munto inteiro se vestem de verde, e celebram suas tradições. Entre essas tradições está a cerveja, e essa é a parte que nos interessa!

Portanto vista-se de verde e pegue sua Guinness, Murphy's ou Beamish, seja ela uma Irish Stout ou uma Irish Red Ale, e tenha um feliz St. Patrick's Day! Afinal, "todo mundo é irlandês no St. Patrick's Day"!

Anos Anteriores:
17/03/2006 - Happy St. Patrick's Day!
17/03/2005 - Happy St. Patrick's Day!


14/03: Köstritzer Schwarzbier

Köstritzer Schwarzbier

Ontem eu tive o prazer de experimentar a Köstritzer Schwarzbier, a cerveja do tipo Schwarzbier mais antiga, famosa e consumida no mundo.

Ainda não havia provado nenhuma cerveja do tipo Schwarzbier, e estava curioso pra saber qual a diferença deste tipo particularmente, em relação às demais cervejas escuras.

A Schwarzbier é feita com malte escuro, e de baixa fermentação, ou seja, é uma Lager. A Köstritzer, que é referência no estilo, é uma cerveja com pouco amargor e um bom corpo. Possui boa espuma, e seu gosto não lembra malte torrado, como as cervejas do tipo Stout e Dunkel. Ela também não é doce, como a Malzbier. Eu gostei bastante.

A cevejaria Köstritzer foi fundada em 1543, mas em 1991 foi adquiria pela gigante alemã Bitburger. Ela é importada no Brasil pela Stuttgart.