20/04: Therezopolis Gold

Therezopolis Gold

Sexta-feira passada, após uma semana extenuante de trabalho, saí para tomar um delicioso chopp. Escolhemos o bar Maresias, no bairro Coqueiros em Florianópolis, pois eles vendem o chopp da ZeHn Bier, que é delicioso.

Chegamos lá, olhei despretensiosamente o cardápio, pois fomos lá somente para tomar chopp, e vi entre as cervejas oferecidas a Therezopolis Gold.

A Therezopolis Gold é uma cerveja puro malte, que era fabricada no começo do século passado, e foi relançada recentemente pela Cervejaria Terezópolis. Eu, que havia ouvido falar na cerveja, mas ainda não havia tido a oportunidade de experimentá-la, nem pensei duas vezes.

Acho que, por ser uma cerveja Puro Malte, e influenciado pelo nome, eu esperava uma Pilsen mais encorpada mas, infelizmente, a Therezopolis Gold é mais uma pilsen suave. Está mais para Bavária Premium, do que para a Kaiser Gold.

O que não a desmerece, obviamente. A cerveja é boa, com boa espuma, de ótima durabilidade. Mas para quem estava esperando algo com mais corpo, foi um pouco decepcionante. Para ilustrar, fiz o contraste com o chopp da ZeHn, e pude sentir uma grande diferença, especialmente no amargor. O resto da noite foi regado a chopp, conforme planejado.


08/04: oBIERcevando

Mais um blog sobre cerveja no pedaço, o oBIERcevando, do Paulo "Feijão".

O Paulo mora em Blumenau, e já tive a oportunidade de conversar com ele pelo MSN. Com certeza seu blog será bem interessante. Uma prova disso é a entrevista com Juliano Mendes, dono da Eisenbahn, já em seu terceiro post.


31/03: Mais leve que o ar.

O brasileiro gosta de cerveja leve. Você certamente já leu ou ouviu isso em algum lugar.

Um dos motivos é o clima. O Brasil é um país tropical, e em quase todo seu território é quente na maior parte do ano. Por isso, é costume do brasileiro tomar cerveja gelada, para se refrescar. Cervejas encorpadas geralmente devem ser consumidas em temperaturas que variam de 6º a 12ºC, enquanto que cervejas mais leves podem ser bebidas a temperaturas menores.

Na Europa, que passou por várias guerras em sua história, com escassez de alimentos durante vários períodos, uma cerveja forte e encorpada também servia como alimento. Enquanto que na América, onde o alimento sempre foi abundande, apesar de ser muito mal distribuido, o consumo de cerveja é um evento social, onde o que importa é relaxar e conversar com os amigos.

Somando os dois primeiros fatores ao fator tempo, criamos a cultura vigente. No passado as cervejas leves eram preferidas por causa dos fatores acima. Com isso, elas dominaram o mercado e passaram a ser o padrão. O brasileiro hoje é acostumado a beber cervejas leves, pois essa era a única opção que teve, quando começou a beber. Seu paladar foi educado a apreciar a cerveja leve.

Claro que nem tudo está perdido. Como um brasileiro pode aprender a gostar de sushi, que é uma comida que não faz parte de sua cultura alimentar, ele pode aprender a gostar de uma cerveja mais encorpada. E muitos assim o fizeram, quando tiveram contato com cervejas importadas, ou os produtos das microcervejarias nacionais.

Porém a maioria ainda está restrita aos produtos oferecidos pelas grandes cervejarias. E infelizmente, essas não se preocupam em oferecer diversidade a seus consumidores. Pelo contrário, procuram sempre manter o status quo.

Depois que a Skol assumiu a condição de cerveja mais bebida do país, a situação ficou ainda pior. A Schincariol virou Nova Schin, e a Kaiser mudou de sabor. Tudo para ficarem ainda mais leves, e concorrer com a levíssima lider de mercado. Nada mais natural que as cervejarias apostem em uma fórmula já consagrada, em vez de arriscar algo novo. Mesmo desrespeitando a regra do marketing que diz que o segundo lugar nunca deve imitar o primeiro, e sim inovar, para tomar seu lugar, uma vez que o primeiro está nessa posição justamente por ser o melhor naquilo que ele faz

O problema foi que as cervejarias exageraram. Hoje, toda e qualquer cerveja lançada no mercado, com raríssimas exceções, são apresentadas como leves, independente do segmento que esses produtos pretendem se posicionar. Desde cervejas populares, como a Nova Schin, até as mais caras, como a Bavária Premium, que é vendida como "premium" e leve ao mesmo tempo. A AmBev, por exemplo, possui inúmeras marcas no mercado, e a grande maioria segue o mesmo padrão, mesmo os novos lançamentos, como o chopp Brahma Black.

É normal, pelos motivos já citados, que as cervejas leves dominem o mercado. Mas as grandes cervejarias poderiam diversificar ainda mais, oferendo outras opções a seus consumidores. Alguns passos já foram dados nessa direção, com a linha da Bohemia, (apesar da Bohemia Pilsen ser bem leve também), ou a compra da Baden Baden pela Schincariol. Mas ainda é muito pouco.

Claro, uma boa alternativa são as microcervejarias, que estão conquistando seu espaço no mercado. Porém muitas vezes essas empresas não têm condições de reeducar seus consumidores, como acontece com a Cervejaria Palazzo, de Jaboticabal-SP, que como conta este post do blog Latinhas do Bob, pretende deixar seu chopp menos amargo e passar a filtrá-lo, uma vez que a atual receita não agrada o consumidor local.

Por isso é importante prestigiar quem fabrica e quem vende cervejas diferenciadas, para que essas empresas tenham condição de se manter no mercado, e prosperar. Porque senão, do jeito que as coisas andam, em breve estaremos enchendo balões com cervejas, pois esta estarão mais leves que o ar.


26/03: Blogs Sobre Cerveja

Por muito tempo procurei por outros blogs que falassem sobre o mundo da cerveja, cervejas artesanais, microcervejarias, etc. Com certeza eu não podia ser o único na "blogosfera" brasileira a escrever sobre o assunto.

Infelizmente, pesquisar por "Cerveja Blog" no Google não era muito eficiente, pois muitos blogs eventualmente mencionam a palavra cerveja em seus textos. E o único resultado que parecia promissor, o Cerveja Blog, fala sobre tudo, menos cerveja.

Porém, recentemente, ao navegar na Internet à procura de mais informações sobre microcervejarias, acabei encontrando um blog sobre cerveja e gastronomia, o Edu Passarelli Recomenda!.

E graças a esse "terrível" costuma dos blogueiros de linkar outros blogs, eu encontrei mais alguns blogs sobre cerveja bastante interessantes. São eles o Cerveja Só, Dana Bier (blog que documenta a criação de uma pequena cervejaria artesanal), Latinhas do Bob, Hummm, cerveja!!!!! e o Blog Cervejeiro!.

Todos devem entrar entre os links ao lado em breve. Se você gosta de ler meus posts sobre cerveja, mas acha que minha frequencia deixa a desejar (e eu concordo), pode acompanhar os blogs acima também. Só não vale me abandonar. :)


21/03: Visita à Cervejaria Schornstein

No começo do ano eu fiz uma visita à Cervejaria Schornstein, em Pomerode-SC. Quando retomei o blog, queria fazer um post sobre a visita, mas infelizmente não tinha tirado nenhuma foto para ilustrá-lo.

Felizmente, no último sábado, recebi um convite do Thomas. O Thomas é um alemão, radicado em Braga, Portugal, que conheci através do forum do site Cervejas do Mundo. Ele possui uma cervejaria caseira, a Benedictum Cerveja Artesanal, e trabalha como consultor na área têxtil, o que o trouxe à Santa Catarina por algumas semanas.

Cervejaria Schornstein

Eu estava mesmo com vontade de fazer um passeio, então falei com minha namorada Andrea, que topou na hora, e fomos para Pomerode. Chegando lá, encontramos Thomas já falando com o José Carlos, que é o responsável pela produção da cerveja mais alemã do Brasil. Visitamos as instalações onde a cerveja é fabricada, o que eu não tinha feito na ocasião da minha primeira visita.

Cervejaria Schornstein

Fiquei surpreso e contente em saber que, com menos de um ano de vida, a Schornstein já triplicou sua capacidade de produção, e ainda assim já está operando no máximo da sua capacidade. O que prova que uma microcervejaria pode ser um ótimo negócio, e garante que elas vieram para ficar.

Thomas, Andrea e Ricardo

Depois de conversar com José Carlos, sentamos (eu, a Andrea e o Thomas) em uma mesa do bar, para saborear os chopps da casa. A Schornstein oferece 4 tipos de Chopp: O Trink Bier Natural, que é um Pilsen não-filtrado, o Trink Bier Cristal, a versão filtrada do Pilsen, o Pommern-Bier, que é do tipo Bock, e o Schorn-Bier, do tipo Pale Ale. Com exceção do Cristal, que é muito leve e sem graça, os demais são excelentes, e foram aprovados pelos 3 degustadores.

Quanto ao Cristal, o José Carlos nos explicou que eles temiam que a versão não-filtrada do Pilsen fosse rejeitada, e por isso criaram a versão filtrada também, mas que hoje a grande maioria prefere o Natural. Eu acho que a Schornstein deveria esquecer o Pilsen filtrado, e criar mais um tipo de cerveja. O Thomas sugeriu uma Weizen, após ter observado que aqui no Brasil essa cerveja é bastante apreciada.

Chopps Pale Ale, Bock e Pilsen Natural

Em relação ao bar da fábrica, posso afirmar que o atendimento é excelente, assim como a comida. Almoçamos lá na primeira vez que fomos, e estava ótimo. Dessa vez o Thomas pediu um Hackapetter, especialidade da casa, feita com carne crua e condimentos, e preparada com maestria na própria mesa onde é servido com pão integral típico alemão. Não é ruim, mas não consegui abstrair o fato de estar comendo carne crua, e só comi uma fatia de pão. A Andrea nem quis provar, e o Thomas acabou comendo todo o resto sozinho.

Hackapetter

Resumindo, a Cervejaria Schornstein vale uma visita (no mínimo, eu pretendo fazer várias), com certeza. Além da cervejaria, pode-se conhecer a simpática Pomerode. Quem é de longe pode também aproveitar e, na mesma viagem, conhecer as vizinhas Timbó, Indaial, Blumeau e Brusque, todas com pelo menos uma cervejaria, fazendo um verdadeiro circuito cervejeiro pelo Vale do Itajaí.

Também valeu muito a pena trocar idéias sobre o pão liquido com o Thomas. Foi muito interessante encontrar outro apreciador de cervejas.


17/03: Happy St. Patrick's Day!

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É hoje, o famoso St. Patrick's Day, ou dia de São Patrício, o santo padroeiro da Irlanda.

Mais do que um feriado religioso, o St. Patrick's Day é um evento cultural, onde Irlandeses e descendentes do munto inteiro se vestem de verde, e celebram suas tradições. Entre essas tradições está a cerveja, e essa é a parte que nos interessa!

Portanto vista-se de verde e pegue sua Guinness, Murphy's ou Beamish, seja ela uma Irish Stout ou uma Irish Red Ale, e tenha um feliz St. Patrick's Day! Afinal, "todo mundo é irlandês no St. Patrick's Day"!

Anos Anteriores:
17/03/2006 - Happy St. Patrick's Day!
17/03/2005 - Happy St. Patrick's Day!


14/03: Köstritzer Schwarzbier

Köstritzer Schwarzbier

Ontem eu tive o prazer de experimentar a Köstritzer Schwarzbier, a cerveja do tipo Schwarzbier mais antiga, famosa e consumida no mundo.

Ainda não havia provado nenhuma cerveja do tipo Schwarzbier, e estava curioso pra saber qual a diferença deste tipo particularmente, em relação às demais cervejas escuras.

A Schwarzbier é feita com malte escuro, e de baixa fermentação, ou seja, é uma Lager. A Köstritzer, que é referência no estilo, é uma cerveja com pouco amargor e um bom corpo. Possui boa espuma, e seu gosto não lembra malte torrado, como as cervejas do tipo Stout e Dunkel. Ela também não é doce, como a Malzbier. Eu gostei bastante.

A cevejaria Köstritzer foi fundada em 1543, mas em 1991 foi adquiria pela gigante alemã Bitburger. Ela é importada no Brasil pela Stuttgart.


28/02: Arroz na Cerveja

Budweiser - Rei das Cervejas com Arroz.

Rafael Galvão e o Hermenauta andaram duelando, (com direito a pitaco do Biajoni) sobre a adição de milho na produção do Whisky, resultando na bebida conhecida como Bourbon Whiskey. Aproveitando a deixa, vou contar a história de como os cereais não-maltados foram introduzidos na produção da cerveja.

Pra começar, é bom explicar que a limitação dos ingredientes utilizados na fabricação da cerveja a malte, lúpulo, água e levedura só se estabeleceu em 1516, com a Reinheitsgebot, Lei de Pureza da Bavária. Antes disso, muitos outros ingredientes eram utilizados na fabricação da bebida, como o rosmaninho selvagem no lugar do lúpulo, por exemplo. Porém, com o tempo a Reinheitsgebot se popularizou, e apenas os quatro ingredientes acima citados passaram a ser utilizados na a fabricação da cerveja, com algumas exceções.

Bebida muito popular na Europa Central, a cerveja não tardou a chegar à América. Na década de 1840, imigrantes alemães introduziram a cerveja lager nos Estados Unidos. No começo o consumo era restrito aos imigrantes germânicos, porém com o tempo a bebida se popularizou.

O aumento da demanda exigiu um aumento da produção, e foi aí que os imigrantes cervejeiros se depararam com um problema: O malte importado era caríssimo, enquanto que o malte produzido nos Estados Unidos era muito proteico, o que reduzia a durabilidade da cerveja. Além disso, a demanda já era muito maior que a própria produção da cevada. Os fazendeiros locais não davam conta de abastecer as cervejarias, que então passaram a procurar alternativas.

Para produzir uma cerveja mais durável e, sobretudo, mais barata, cereais não-maltados começaram a ser utilizados na produção da cerveja. O primeiro foi o milho, mas o excesso de oleosidade do mesmo influenciava no sabor da cerveja. Era possível retirar o excesso da oleosidade do milho, porém esse processo impactava no custo final da cerveja.

Muitas pesquisas e experiências com o milho foram realizadas, até que na década de 1870, surgiu em Pilsen, República Tcheca, uma cerveja lager leve e clara. Essa cerveja rapidamente fez sucesso pelo mundo inteiro, e logo tentou-se copiá-la também nos Estados Unidos. Depois de várias tentativas frustradas com o milho, chegou-se à conclusão que fabricar cervejas do tipo Pilsen com o malte americano só seria possível com a adição de arroz ou milho branco, que é menos oleoso que a variedade amarela.

Assim nasceram as cervejas do tipo Pilsen americanas. Uma das primeiras cervejarias, a E. Anheuser & Co. (depois Anheuser-Busch), adotou o arroz, e teve a idéia de batizar sua cerveja com o nome de Budweizer, de forma que ficasse claro aos seus consumidores que essa cerveja havia sido criada com o mesmo processo das cervejas de Budweiss, na República Tcheca.

Essa decisão até hoje gera polêmica, com várias batalhas judiciais sendo travadas pela companhia americana e a tcheca Budějovický Budvar, (ou Budweiser Budvar), que considera o termo Budweiser uma indicação de origem, como Pilsner ou Dortmunder.

Hoje, com as cervejarias artesanais, em alta cada vez mais cervejas puro malte estão sendo fabricadas na América. A Reinheitsgebot sempre é lembrada como garantia de qualidade do produto. Mas talvez, sem a adoção dos cereais não-maltados no final do século XIX, a fabricação da cerveja tivesse sido inviável no continente americano, e a bebida não teria se popularizado tanto por aqui.

Saúde.

Fonte: Revista All About Beer.

14/06: Cervejaria Schornstein

Cervejaria Schornstein

Inaugurou em Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil, no último dia 08/06, a Cervejaria Shornstein, mais uma cervejaria artesanal catarinense.

A cervejaria inicia sua produção com 3 tipos de chope, (Pilsen, Pilsen Fest e Bock), mas em breve deveremos ter novos lançamentos.

Inicialmente será atendido apenas o mercado local, mas em 6 meses a Schornstein deverá começar a engarrafá-los, em forma de cerveja, para atender o mercado nacional.

Fontes: Sebrae-SC e A Noticía.

Obs: Agradecimento especial ao leitor Feijones pela dica.


13/06: Boas Notícias!

Essas notícias são sensacionais:

Cerveja pode combater o câncer de próstata
e
Café protege o fígado contra cirrose e câncer

E percebam que as notícias se complementam: enquanto uma fala que é necessário tomar 17(!) cervejas por dia para combater o câncer de próstata, o que segundo a notícia pode causar alcoolismo e cirrose, a segunda fala que o cafézinho protege seu fígado do álcool. Então é só combinar os "tratamentos". :-)