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04/10: Referendo

Eu Voto Não!

No dia 23 de outubro, os eleitores brasileiros deverão ir às urnas, para aprovar ou não a proibição de venda de armas de fogo no Brasil. Eu vou votar NÃO.

Os defensores da proibição argumentam que possuir revólveres em casa aumenta o risco. Segundo eles, na tentativa de resistir a um assalto, o cidadão estaria aumentando suas chances de se ferir ou até morrer. Porém a legítima defesa é um direito constitucional do cidadão, e é ele quem deve decidir se deve arriscar ou não.

E a dúvida se há ou não armas em uma residência pode levar ao assaltante a opção por invadir uma residência em horário que ele sabe que não haverá ninguém em casa, ou mesmo trocar de alvo. Ladrões calculam risco, como qualquer profissional. Tenho alarme no carro, e ele não impediu que o mesmo fosse arrombado. Mas se tiver que escolher entre dois carros, um com e outro sem alarme, o ladrão irá, com certeza, optar pelo que está desprotegido.

Outro argumento é de que a maioria dos crimes cometidos com armas de fogo é causada por pessoas conhecidas. Tecnicamente, porém, um traficante rival pode ser uma pessoa conhecida. E violência familiar acontece com ou sem a presença de armas de fogo.

A grande maioria dos casos de homicídios por armas de fogo que vejo nos jornais é de pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Execuções, acertos de contas, brigas por território, tudo ajudando para aumentar as estatísticas. Já nos casos de violência familiar, especialmente de assassinatos que acompanho nos jornais, a morte se dá por várias maneiras: Tiros, facadas, pauladas, etc.

Ou seja, em uma briga onde o cidadão perde o controle, qualquer coisa pode ser utilizada como arma. Na falta de uma arma de fogo, o assassino simplesmente vai escolher a opção que está mais à mão, como uma faca, por exemplo.

Mais um argumento é o de que a grande maioria das armas que se encontram hoje nas mãos de bandidos, um dia foram armas legais, que foram roubadas ou compradas de seus donos originais. A proibição da venda de armas iria assim dificultar o acesso dos criminosos às armas.

Pode até dificultar, mas não irá impedir. Num país onde as drogas são proibidas, mas são encontradas em qualquer esquina, onde a pirataria é crime, mas se compra CDs piratas ao ar livre, onde traficantes possuem armas que são de uso exclusivo das forças armadas, qual será a dificuldade de se colocar no mercado negro armas, de pequeno porte, contrabandeadas?

Num país com fronteiras continentais como as nossas, com boa parte dessa fronteira ser no meio da floresta, e onde o controle sobre a fronteira é quase nulo, como se controlará a entrada de armas de fogo no país?

Pra finalizar, a tentativa de se reduzir a mortalidade proibindo a venda de armas de fogo ao cidadão honesto é praticamente uma declaração de incompetência das autoridades, pois as mesmas reconhecem que são incapazes de lidar com a criminalidade, ao tentar uma medida paliativa, que não ataca o cerne do problema.

Na Suíça, praticamente 100% das casas possuem armas de fogo, entregues pelo próprio governo para que os cidadãos protejam seu país. E o número de homicídios por habitante é muito menor que o do Brasil. Ou seja, a posse de armas não significa aumento da violência. A violência tem outras causas, outras raízes.

Não dá para comparar o Brasil com a Suíça? Realmente, não dá. E enquanto nos preocuparmos apenas com os sintomas, e não com as causas de nossos problemas, vamos continuar sem poder comparar.

Hoje o cidadão brasileiro tem o direito de possuir uma arma de fogo para proteger sua vida e a vida de sua família, de uma violência que cresce a cada dia, e que nossas autoridades são incapazes de controlar. Não acredito que revogar esse direito irá melhorar em nada a situação de nosso país. Por isso voto CONTRA a proibição da venda de armas de fogo para os cidadãos de bem, já que os fora-da-lei certamente continuarão a comprá-las, independentemente do resultado do referendo.



Comentários

eu vou votar não. voto 1
04/10 11:02:31
Cara tenho um problema sério com links, mas vou linkar você agora para não esquecer.
Beijo.
04/10 11:47:39
Eu voto sim!!!
04/10 11:53:25
Trata-se de um referendo e não de um plebiscito. A lei já existe e o que querem é respaldá-la popularmente. Possuir arma já é proibido. A pergunta, agora, é sobre comercialização. Aliás, feita de forma indevida, que demonstra má-fé. Tudo sempre tem um início: hoje proibe-se comercialização legal de arma, amanhã tira-se outro direito, e , assim o povo vai ficando cada vez mais impotente. E é duro saber que a culpa é do próprio povo.
Temos que votar NÃO.
“SE CINQÜENTA MILHÕES DE PESSOAS FAZEM UMA GRANDE BESTEIRA, NÃO SERÁ POR ISSO QUE ELA DEIXARÁ DE SER UMA GRANDE BESTEIRA” ANATOLE FRANCE (1844-1924).
04/10 13:51:35
Bem, eu vou votar SIM. Mas, isso é minha opinião pessoal. Enfim, Ricardo, ficou ótimo o Layout novo, e agora as letras não vão mais parar lá embaixo.
04/10 14:41:19
Oi Ricardo interessente o assunto eu também vou votar não, ainda mais depois que li este texto:

Em 1913, Lênin escreveu o "Decálogo" que apresentava ações
táticas para tomada do Poder.

>> 1-Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;

>> 2-Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação
de massa;

>> 3-Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a
discussões sobre assuntos sociais;

>>4-Destrua a confiança do povo em seus líderes;

>>5-Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas,
tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;

>>6-Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em
descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;

>> 7-Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do
País;

>> 8-Promova distúrbios e contribua para que as autoridades
constituídas não as coíbam;

>>9-Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;

>> 10-Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência à causa.
Dá o que pensar né???
04/10 16:09:18
Eu voto não,

Pois quero dar o direito da "dúvida" ao bandido, quando for tentar entrar na minha casa.

Se mesmo assim ele entrar, tudo bem. Na primeira ele escapa.

Tenho responsabilidade suficiente para decidir se quero ter arma ou não e assumo esta responsabilidade.
04/10 17:04:08
Eu voto SIM.
Acredito que a proibição da comercialização não irá evitar que os bandidos tenha arma, e também acho que isso nem é o propósito da proibição. O que se quer evitar é que pessoas comuns acabem cometendo crime pelo fato de estarem com a arma na mão, seja numa briga de trânsito, brigas em casa, filhos que pegam as armas dos pais para bincarem e acabam morrendo, além disso essas pessoas não tem má indole mas acabam cometendo o crime por estar de "cabeça quente", atravancando ainda mais a já precária justiça e destruindo a vida de muita gente ...
05/10 16:20:29
Mortes com arma de fogo em discussões de trânsito não serão impedidas pela proibição: O porte hoje JÁ É proibido, e quem infringe a lei carregando a arma para onde bem entender não vai ter nenhum problema para infringir outra lei, comprando armas e munições no mercado negro.

A grande maioria de assassinatos resultantes de violência doméstica, ou por pessoas de "cabeça quente", é causada por facas, pauladas etc., e não armas de fogo. Não acredita em mim? É só olhar nos jornais, e fazer a conta.

Proibindo a venda legal de armas, o Estado estará perdendo o mínimo controle que possui sobre a questão, o que eu considero muito perigoso.

Por isso, voto NÃO.
05/10 18:26:45
Por que não proibir a venda legal de cigarro que também mata?
Não tenho índice, mas quantos morrem por essa causa.

Por que não proibir a venda legal de bebida, que também mata? (Apaguem após ler, não quero que essa idéia pegue)
Pessoas bebem, dicutem, ficam de "cabeça quente", atiram e matam e a culpa é da arma?

Por que não proibir a venda legal de carros que também mantam, já que estes são armas na mão de "cabeças quentes" e irresponsáveis.

A arma é apenas a ferramenta, e não a causa dos problemas de mortes. Acho que a questão tem que ser mais aprofundada.
Tipo: Educação e Condições Básicas de "Sobrevivencia" das pessoas.

Imagino o dia em que for comprar uma faca para churrasco, e ter que ir buscar no mercado negro, por que será a próxima ferramenta a ser proíbida.

Pensem bem, a "causa" de assassinatos, homicídios etc. são as
armas?
06/10 18:23:47
Tudo Balela,

Quer votar pela Vida, VOTE SIM.

EDU
09/10 17:54:47
Se votar pelo SIM é votar pela vida, como chamaremos as vidas que ja foram salvas pelo disparo de uma arma, mesmo que apenas por advertência?
Por quê um bandido pode invadir numa residência portando uma arma de fogo para agredir e o cidadão não pode, POR ESCOLHA PRÓPRIA e OBEDECENDO TODOS OS REQUISITOS JÁ EXISTENTES NA LEI, defender sua casa em igualdade de condições?
O referendo não está ajudando a tirar armas de circulação, está isto sim, colocando todos os cidadãos no mesmo patamar dos bandidos; à margem da lei.
10/10 15:03:02
Ricardo, agora sim. Igualmente bem colocado o seu apoio ao NAO. Espero que nao se importe se eu colocar uns contrapontos pra discussao nao ficar viciada. :)

Parece justo que o cidadao e' decida se usar a arma em casa coloca em risco sua seguranca. Porem, muita gente que eu (infelizmente) conheci gostava de sair armado por ai, inclusive em boates e outros lugares pouco propicios para andar armado. Se isso coloca em risco a seguranca do cidadao nao armado, entao quem tem o direito de decidir isso?

Nao sei se traficante e' realmente categorizado como pessoa "conhecida" na maioria dos casos. Confere isso com algum dado? Violencia familiar acontece ate' mesmo sem armas de fogo e' verdade. Se mortes sempre acontecerao por outros meios, sera' que isso justifica manter a legalidade das armas de fogo? Me parece uma logica um pouco estranha.

Da mesma forma, se o controle das armas legais impedir um pouco o acesso dos bandidos, como vc mesmo disse, o que dizer do argumento de que o referendo nao ataca o problema das armas ilegais e por isso nao presta? Novamente, sera' que nao impedir o acesso completo pelos bandidos justifica deixar tudo do jeito que esta'? Se uma solucao nao e' perfeita, nao vejo como a outra seja melhor ainda.

O Brasil nao e' a Suica, e' verdade. Entao sera que estamos comparando algo diferente para chegar a mesma conclusao: as armas devem ser legais? Enfim, continuo na duvida. Vou mais longe, desconfio que a Suica nao esta prestes a ser invadida por uma forca externa. Talvez o Brasil esteja mais a risco, sei la'.

Acho que a mortalidade causada por acidentes, excessos, brigas e outras causas alem trafico tambem deveriam ser mencionadas talvez. Ou sera' que os civis armados sao sempre mais preparados e respeitosos da lei que os bandidos?

Foi mal pelo comment longo. Valeu pelo post.

Abraco!
10/10 15:55:48
Fernando, obrigado pelo comentário. Argumentos para debate são sempre bem-vindos. Vou tentar responder algumas questões que você deixou no ar.

Em primeiro lugar, o porte de armas hoje já é proibido. Portanto se seu conhecido, ou qualquer outro, sair armado pelas ruas, já estará infringindo a lei.

Proibir a venda de armas poderia evitar que isso aconteça, mas eu acredito que alguém que seja capaz de desrespeitar a lei do porte, irá sem nenhum problema desrespeitar a lei da posse, e comprar a arma no mercado negro.

Em relação à questão do traficante, me baseei apenas no que observo nos jornais aqui de Florianópolis. Eu evitei de colocar estatísticas justamente porque elas podem ser manipuladas. Como dizem por aí, 83% das estatísticas são inventadas.

Por fim, o estatuto do desarmamento, como está hoje, já diminuiu consideravelmente as vendas de armas legais no Brasil. O referendo é desnecessário, pois comprar uma arma legalmente é inacessível a grande maioria da população brasileira.

Portanto, se o governo tivesse real interesse em desarmar os bandidos, usaria o dinheiro gasto nesse referendo para investir em educação e segurança pública, não acha?

Um abraço.
10/10 16:27:41
Ricardo, valeu pelos comentarios. Espero que nao se importe em que eu prossiga a discussao.

A distincao entre o porte e o comercio ja' existe, e' verdade. Porem, as pessoas a que me refiro obtiveram essas armas dentro de suas casas (i.e. papai), portanto dentro da legalidade que o referendo aborda. Na minha opiniao, elas nao deveriam ter chegado la' em primeiro lugar. Mesmo que isso nao aconteca, outro problema e' que a arma em casa sera' usada esporadicamente. Sera' razoavel achar que o dono estara' preparado para um eventual assalto onde a surpresa e o preparo do bandido sao sempre superiores? Quantas armas sao perdidas para a ilegalidade em assaltos? Cortando essa fonte sera' que nada vai mudar mesmo?

Faz tempo que eu nao passo por Floripa. Espero que ainda esteja longe do caos carioca. O Rio alem de acuado pelo trafico e', infelizmente, uma cidade cheia de valentoes tb. Nao vejo como seria possivel controlar o abuso e os acidentes fatais de armas que se encontram legalmente na casa de terceiros. Pra mim, esse e' o centro da questao, que esta' confusa na cabeca de muitos que apoiam o SIM e o NAO. A grande maioria pode nao ter acesso, mas enquanto houver o comercio legal de armas e' inevitavel que uma porcentagem significativa continue sendo comercializada (e caindo na ilegalidade, inclusive). Caso contrario, nem haveria bancada da bala.

Quanto ao dinheiro publico, toda eleicao sera' inutil pra quem for contra e proveitosa para quem for a favor. Acho que o Smart fez um post que da' uma ideia aproximada do gasto economico futuro com incidentes envolvendo armas de fogo. Mas o NAO tambem pode ganhar, e' so' votar.

Abraco.
10/10 19:43:31
Olá Fernando. Podemos continuar o debate, sem problemas.

Acredito que se cortar a venda de armas legais, a única coisa que vai mudar será a origem das armas dos bandidos. Se é verdade que a maioria das armas nas mãos de criminosos atualmente foram roubadas de proprietários que compraram legalmente, a proibição só fará com que a maioria das armas sejam contrabandeadas.

Sobre a reação, depende da situação. Tentar alcançar a arma estando na mira do bandido é burrice. Mas se você conseguir pegar a arma ao perceber uma tentativa de invasão, um tiro de alerta pode evitar que o bandido entre na sua casa.

Na teoria a proibição trará vantagens. Seus conhecidos não poderão sair armados, (a não ser que comprassem uma arma no mercado negro), crianças não morrerão em acidentes, ninguém vai morrer ou se ferir ao tentar reagir a um assalto.

Mas eu acredito que, com a proibição, o contrabando de armas vai aumentar, que os criminosos se sentirão mais seguros para praticar seus crimes, e que, no fundo, nada vai mudar. Salvar-se-ão umas vidas aqui, perder-se-ão outras ali, lá e acolá.

Você mencionou o Smart, e eu já até deixei meu pitaco por lá, já eu gostaria de mencionar o Tiagón ( http://www.verbeat.org/blog... ), que também fez um ótimo post, explicando porque vota NÃO, apesar de ser contra as armas.

Ah, e Florianópolis está longe de ser Rio de Janeiro, mas quem vive aqui há mais de 20 anos se assusta com a violência que aumenta a cada dia. As autoridades locais dizem que ainda estamos longe dos índices de violência dos grandes centros, mas eu acho que deveria-se comparar a situação atual com a situação de alguns anos atrás. Aí a coisa fica feia.

Dia 23 vamos votar. Eu votarei NÃO.

Abraço.
10/10 22:10:32
Ricardo, ok. Eu acho dificil que a origem das armas dos bandidos mude de forma alguma. Simplesmente porque eles ja' estao armados. Pro cara que vive na ilegalidade, conseguir uma arma de forma legal ou ilegal da' no mesmo, a diferenca e' que com o corte do comercio legal, corta-se outra fonte de armas que acabam virando ilegais. Isso pra mim e' um beneficio claro.

Por outro lado, a arma em casa nao o e'. Eu sei que as estatisticas sao perigosas, mas nao e' dificil imaginar que um assalto com reacao da vitima possa ocasionar mais mortes do que sem reacao. Isso sem contar com o risco acidental a criancas e adultos. Com o risco do filho abusar da arma do papai, como eu mesmo presenciei. Com o risco do comprador se meter numa confusao de rua ou no casamento e cometer uma loucura.

Acho que os criminosos (no Rio, ate' onde sei) ja' se sentem seguros por causa da impunidade. Na cadeia, na justica, na corrupcao deslavada. Nao tenho duvidas que o fim do comercio nao resolvera' tudo. Mas eu nao confio numa sociedade armada.

Abraco
11/10 12:15:06

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