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30/11: Cultura Clubística

Eu sempre gostei de basquete. Jogava até bem, quando criança, e sempre acompanhei a seleção brasileira. Lembro me de ter assistido a todos os jogos da seleção masculina no Pré-Olímpico de 1988. Acompanhava as seleções, tanto a masculina, quanto a feminina, nas Olimpíadas. Já assisti a vários jogos da NBA. Mas nunca assisti um jogo inteiro entre clubes nacionais.

Onde uma Seleção Brasileira de Volei vai, o ginásio lota. Tanto no masculino, quanto no feminino. No masculino temos, atualmente, a melhor seleção do mundo. Campeã Olímpica, da Copa do Mundo, e da Liga Mundial. São José-SC, onde moro, tem uma equipe disputando a Superliga Masculina. Florianópolis, a cidade vizinha, tem outro. Eu nunca fui assistir a um único jogo de uma dessas equipes.

O Brasil praticamente domina o Futsal mundial. É detentor da grande maioria dos títulos, e só recentemente teve seu domínio ameaçado pela Espanha, que possui jogadores brasileiros naturalizados em sua seleção. Para os torneios locais? Não dou a mínima.

Em compensação, se tiver passando Brusque X Caxias, pela série A-II do Campeonato Catarinense, sou capaz de parar de assistir. Por que?


A resposta é simples: Paixão clubística.

No Brasil o futebol é o único esporte em que a cultura clubística é muito forte. Enquanto nos outros esportes, o nome do patrocinador é usado como "Nome Fantasia" da equipe, no futebol o nome do clube é utilizado. O campeão catarinense de 2005 é o Criciúma, independente de quem o patrocinava na época. Já no Campeonato Catarinense de volei do mesmo ano, a Unisul ganhou o hexa-campeonato. O detalhe: Nesse ano a Unisul jogou por São José, mas nos 5 anos anteriores, jogou por Florianópolis.

Assim, é difícil se identificar com uma equipe nesses esportes. Até o ano passado, o representante de São José era a Intelbrás. Esse ano, a prefeitura de São José entrou em acordo com a Unisul, ignorando completamente seu antigo representante. Outro exemplo é a Rexona, que montou uma equipe de basquete feminino em Curitiba, e depois de um tempo, levou o time para o Rio de Janeiro.

Independente dessas mundanças de sede, o próprio fato de usar o nome do patrocinador é para mim um fator negativo. Mesmo cidades que mantém tradição em um esporte, mantendo a equipe mesmo quando há mudanças no patrocínio, não mantém uma cultura clubística, pois mudam as cores do uniforme de acordo com a necessidade.

No futebol, a paixão clubística é muito forte. Pais fazem de tudo para que seus filhos torçam para seu time. Se alguém coloca uma cor diferente no "manto sagrado", a torcida já reclama. Há uma identificação muito grande entre o torcedor e seu clube. E mesmo com as outras equipes, a relação não é de total indiferença. Além de odiar o(s) rival(is) da mesma cidade, simpatiza ou não com outros clubes, dependendo de vários fatores, como a cor da camisa.

Nos Estados Unidos, por exemplo, os clubes são empresas. Mas há a identificação, pois a empresa é o próprio clube, que normalmente é uma franquia da liga, e não o patrocinador. É o nome do clube que é utilizado, que vai na camisa. E as cores são sempre as mesmas. Por lá eles tem a mania de mudar uma equipe de cidade, mas o nome da equipe normalmente continua o mesmo.

A justificativa para utilizar o nome do patrocinador na equipe é que esse é o único jeito para viabilizar os campeonatos. E isso é verdade, pois esses campeonatos não possuem a visibilidade de um campeonato de futebol, os valores de televisionamento e patrocínio são muito menores. Seria necessário um investimento muito alto para poder manter clubes em funcionamento, até conseguir criar uma cultura e uma visibilidade, que trouxesse maior retorno e viabilizasse a manutenção das equipes.

Portanto esses esportes estão em um círculo vicioso. Precisam dos patrocinadores para manter seus campeonatos, mas não conseguem um maior interesse dos espectadores e, consequentemente, um maior retorno, enquanto não criam uma cultura clubística. Pois ir ao ginásio gritar "Unisul, Unisul", decididamente, não tem graça nenhuma.

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E se fosse "Microsoft, Microsoft", tu nao gritavas? ;)
30/11 23:46:25
É verdade, não existe nada mais ridículo do que um monte de tietes gritando "Rexona, Rexona".

Concordo com a análise. O patrocinador já tem o direito de botar o nome na camiseta, em cartaz, em propaganda... bem que podia deixar o nome em paz. Interessante que aqui nos EUA, onde os times são verdadeiras corporações, patrocínio não entra nem nos nomes nem nos uniformes dos times.

[]s

PS = Estou pra ver um jogo dos Spurs mes que vem, espero que seja tão bom quanto o do Harlem Globetrotters que assisti quando criança.
01/12 00:33:14
Isso é verdade. Inclusive, vários setores da mídia não costumam chamar os times pelos seus patrocinadores, e sim pelas cidades que representam. Uma exceção é o Banespa, que é uma tradição no esporte amador (inclusive, com muitos títulos no vôlei e no futsal) e tem o nome oficial de Esporte Clube Banespa.
01/12 21:22:45
3 comentario importantes

1 - Vc é quem diz que até jogava bem quando era criança, há fortes controvérsias hahaha

2 - basquete feminino??? ninguem merece, nem que seja da seleção hahaha

3 - eu é que sou torcedor de basquete, sou torcedor do Knicks de Nova Yorke, e não sou torcedor de pijama não, sempre que vou a Nova Yorke eu vou ao Madisão ver o meu time, aliás, "da úlitma vez" eu vi o meu timão ganhar do Houston Rockets em uma vitória emocionante hahahahahahaah
Abraço

Edu
01/12 21:23:37

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